Escrevendo semi – ‘Ilegivelmente’

Se existe algo que a gente aprende em todas as disciplinas relacionadas a design, é que texto precisa ser legível para ser facilmente lido e lembrado. Usar Comic Sans ou outra fonte estranha é praticamente proibido no design, pois as fontes incomuns não ajudam a reter informações. Você achava que isto fazia sentido. Até agora.

Use fontes semi-legíveis

Você já notou como o conteúdo de livros acadêmicos e documentos oficiais simplesmente não ficam na sua cabeça? Aqueles livros sobre a história econômica do século XVI tentam de tudo para te ajudar a memorizar as partes importantes, desde sublinhando,negritando, deixando em itálico ou uma combinação de TODOS – a única coisa que não fazem é te dar tapas na nuca quando você não está prestando atenção.

E mesmo assim, não há Zeus na Terra que te faça lembrar o que você leu. Agora pense no cardápio daquele restaurante maluco que você ama; você sabe que aquele sanduíche de frango custa R$ 2,30 e lembra dos ingredientes que vai no hambúrguer.

Cardápio

Isto soa familiar? Então você pode começar a culpar a Times New Roman, Arial ou a sua queridinha, Helvetica.

Em um estudo recente publicado na revista americana “Cognition”, psicólogos da Universidade de Princeton e Indiana pediram para que 28 homens e mulheres lessem um artigo sobre três espécies de alienígenas, cada qual tinha sete características peculiares (como “tinham olhos azuis” e “comiam pétalas de flores e pólen”). Metade dos participantes leram o artigo escrito usando a tipografia Arial com tamanho de 16pt. A outra metade, leu o mesmo artigo em tipos com legibilidade menor, como Comic Sans MS 12pt ou Bodoni MT 12 pt.

Após um curto intervalo, os participantes fizeram um teste. O grupo que leu o texto com a tipografia mais difícil acertou 85.5% mais do que o grupo que leu tudo em Arial grande.

Estes pesquisadores então fizeram um teste em escala maior envolvendo 222 estudante de uma escola pública de Chesterland, Ohio. Um grupo teve todo o seu material de estudo de disciplinas como inglês, história e ciência re-escrito numa tipografia incomum, como a Monotype Corsiva. O outro grupo não teve o seu material didático alterado e continuou com uma fonte de fácil leitura.

Após os estudos, novamente os alunos foram testados e os que se debateram para conseguir ler o texto se deram melhor que os que conseguiam ler normalmente.

Um dos co-autores do estudo, Daniel M. Oppenheimer, explica:

O motivo para as fontes incomuns serem mais efetivas é que elas necessitam de uma maior atenção de nossa parte. No entanto somos capazes de pensar profundamente, sem ser submetido a fontes incomuns. Pense assim: você não consegue pular material que está com uma fonte difícil de ler, então você irá se forçar a ler com mais atenção.

Claro que não é a única forma de aprendermos algo; concentração e resumos ainda são essenciais.

Mas o interessante mesmo é que, ao contrário do que geralmente acreditamos, um texto com uma tipografia mais difícil pode ser melhor retida. No entanto, vale lembrar que o estudo se limitou a textos que os participantes precisavam decorar. De modo algum você deve usar isso como desculpa para enfeitar o seu portfólio com milhares de fontes diferentes e ilegíveis – este tipo de texto a pessoa não precisa ler.

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