Tratamento de doenças com arte

Contemplar uma obra de arte, pintar ou bordar, põe seu lado criativo para funcionar. Isso pode ajudar a tratar problemas crônicos e distúrbios psicológicos

 

O Nascimento de Vênus.

Observe o azul profundo do mar e suas ondas.

Perceba a luz que emana da figura da mulher e dos anjos que a rodeiam. Deleite-se, assim como ela, esticando o tempo e desfrutando cada volta do ponteiro do relógio.

Você pode não ter notado, mas, nos breves momentos em que sua atenção se voltou para as pinceladas do francês Alexandre Cabanel (1823-1889), sua mente desviou-se das preocupações do cotidiano. Diversas áreas de seu cérebro foram ativadas para compreender cores, contrastes, formas. Até o ritmo da respiração pode ter mudado, ainda que sutilmente.

Pois bem. E a saúde com isso? “Quando estamos doentes, uma das coisas que mais nos ajudam a sair da crise é o entusiasmo”, garante a arteterapeuta Selma Ciornai, do Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo. Ela explica que, favorecido pelo estado de relaxamento, o sistema imunológico responde positivamente. Por esse motivo, a arte vem sendo utilizada como coadjuvante no tratamento de uma série de doenças físicas e emocionais em vários hospitais e institutos do Brasil e do mundo.

Além de encurtar a infância, a puberdade precoce pode levar à baixa estatura. Embora qualquer arte favoreça a criatividade e o entusiasmo, cada forma de expressão artística atua em diferentes áreas da cognição. O Hospital Samaritano, em São Paulo, escolheu o cinema como meio de promover saúde. “A partir de um filme, podemos lidar de modo diferente com o que está acontecendo na nossa vida”, afirma a psiquiatra June Melles Megre, coordenadora do projeto Cine Debate, que faz sessões mensais e gratuitas para, a partir do enredo na telona, discutir problemas psiquiátricos.

Segundo ela, quando enxergamos uma faceta de nossa história na pele de um personagem do cinema, temos mais condições de repensar sobre nossa própria maneira de nos relacionar com o mundo. E se nos transportarmos do papel de espectador para o de artista? Ao desenhar, atuar, esculpir, buscamos maneiras de expressar sentimentos e organizar pensamentos. Sem contar que botamos nosso corpo em ação.

“O doente crônico tende à imobilidade, porque acha que se fizer algum esforço vai doer, vai abalar. Na arteterapia ele é ativo o tempo todo e isso o traz de volta ao ciclo criativo da vida”, opina Joya Eliezer, presidenta da Associação Brasileira de Arteterapia. Foi o que aconteceu com a terapeuta paulistana Regina Chiesa. Em 1994 ela soube que estava com câncer de mama. Incentivada pelo médico, começou a pintar aquarelas numa oficina de terapia artística.

Suas obras ajudaram-na a pôr as emoções para fora. “Tive muitos insights. Foi como se a doença tivesse me dado uma oportunidade de me abrir”, conta. A experiência não apenas tornou a quimioterapia e a recuperação menos sofridas, mas também deu novo sentido à vida de Regina, que hoje usa a arteterapia em pacientes com câncer no Centro Oncológico de Recuperação e Apoio (Cora), em São Paulo. Eles enfrentam a dor com mais serenidade e o resultado do tratamento é melhor, observa.

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