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Obra do ex-grafiteiro Jean-Michel Basquiat ilustra capa de livro sobre o artista

De forma planejada ou não, no final dos anos 7o jovem Jean-Michel Basquiat concentrou seus grafites no SoHo e no East Village, regiões das galerias de arte, dos ateliês e por onde circulavam muitos dos mais importantes artistas em Nova Iorque. Era uma época em que o mercado de arte ainda era dominado pela Pop Arte e pela Arte Conceitual. Eram tempos também em que a ligação entre artes visuais, música, moda e vida noturna tornou-se intensa. Nesse ambiente, os grafites de Basquiat chamaram a atenção dos proprietários das galerias de arte e de marchands ávidos por novidades que atendessem à demanda por obras inovadoras, que principalmente reforçassem a aproximação entre alta cultura e a cultura popular.

Além disso, o auge do grafite como um movimento anárquico ligado aos garotos pobres já havia passado. O começo dos anos 80 trazia uma nova onda radical chic, onde os yuppies, jovens executivos do mercado financeiro, começaram a se interessar por investir em arte e ajudaram a provocar um boom nesse segmento. Quando Basquiat e outros grafiteiros aderiram ao mundo glamouroso das artes plásticas, eles já haviam se distanciado do radicalismo do grafite. Mas, apesar de não mais colocarem suas marcas em prédios e espaços públicos, esses grafiteiros levaram para as galerias de arte e exposições muito da estética e da ideologia do grafite de rua.

O grafite influenciou também gerações de artistas que não fizeram parte do movimento de arte de rua. Keith Haring foi um deles. Sua obra e também sua atitude incorporaram muitas das idéias do grafite. Como artista e ativista, ele buscou levar sua arte para fora das galerias e dos museus, para espaços alternativos e independentes como as estações de metrô e os clubes noturnos. Em uma de suas mais famosas criações, “Radiante Baby”,há claras referências ao universo estético do grafite.

Além de Basquiat e Haring, desde os anos 80, outros artistas ligados ao universo do grafite têm se destacado não só nas paisagens urbanas, mas também em exposições e bienais de arte. Entre eles, está a dupla de artistas brasileiros “Os Gêmeos”. Os irmãos Gustavo e Otávio Pandolfo participavam da cena do hip-hop paulistano no final dos anos 80 quando se interessaram pela arte do grafite. Desde então, das fachadas e viadutos paulistanos, seus grafites chegaram às galerias de arte e também aos muros das grandes cidades dos Estados Unidos, Alemanha, Austrália, China, Itália, Cuba, Japão, Grécia e Argentina, entre outros.

Apesar de passar a fazer parte dos ambientes “oficiais” das artes plásticas contemporâneas, o grafite ainda mantém-se como uma arte de rua e transgressora. E continua a ser uma das formas mais acessíveis dos jovens expressarem-se artística e politicamente e, principalmente, de marcarem sua presença na imensa e diversificada paisagem urbana.

Foto Alexandre Fukuda (Fachada da Galeria Fortes Vilaça (SP) trabalhada pelos grafiteiros "Os Gêmeos" com sua marca registrada; a dupla teve suas obras expostas no local em 2006)

Referência http://lazer.hsw.uol.com.br/grafite2.htm